"Writing is a socially acceptable form of schizophrenia."
(E.L. Doctorow
)

"Words - so innocent and powerless as they are, as standing in a dictionary, how potent for good and evil they become in the hands of one who knows how to combine them."
(Nathaniel Hawthorne
)

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Desejos para 2014

Filipa Alves: Um bom ano, não só aos leitores do 'Crónicas' mas também aos que ainda irão ser e aos leitores em geral. A todos aqueles que apreciam a leitura e que não dispensam um bom livro, seja lido num iPad ou envolto em papel e numa capa dura. O que importa é a força das palavras. Troquem-nas sem limite e quando já não houver voz, apontem-nas e ofereçam-nas. Façam alguém feliz. Que o próximo ano seja assim, um ano feliz.

Pedro Oliveira: Da minha parte como membro do Crónicas em Branco gostaria de desejar a todos os seguidores do nosso blog uma feliz passagem de ano, que estabeleçam muitas metas a atingir para 2014 e que uma a uma se dediquem a cumprir de modo a que seja mais um ano de igual ou maior sucesso que este que agora finda. Feliz 2014!

Fábio Silva: Não sei se é por causa de estar crescido, mas os anos parecem passar cada vez mais rápido. No entanto, neste curto tempo (o que são 365 dias afinal?), muito se passou. Eu, tu, ele, nós, vocês e eles… Cada um com momentos importantes, bons ou maus, passados durante 2013. Quero agradecer a todos aqueles que melhoram os meus dias e que me dão motivos para acreditar que, apesar de todas as dificuldades que vivemos, há sempre motivos para me levantar todos os dias na esperança de um futuro melhor. Por isto, desejo que 2014 consiga ser melhor e que novas e melhores portas se abram para todos nós, onde quer que vivamos e independentemente de onde somos, como somos e que escolhas fazemos para sermos felizes. A todos, um bom ano de 2014!

Ania Santos: É tempo de elaborar novas metas para este ano que se inicia… Não posso dizer que costumo cumprir tudo a que me proponho nesta altura do ano, aliás, pouco chego a realizar e, portanto, neste ano decidi não desejar ir á lua, escalar uma montanha ou virar estrela de cinema. Não, para o próximo ano, só coisas exequíveis! Assim sendo, desejo que o Crónicas em Branco receba muitas publicações, mais comentários e que se torne num blog de referência. Desejo que a minha vida pessoal melhore a todos os níveis e que a pontinha de sorte que não me tem acompanhado volte a brilhar no novo ano. Last but not least, desejo que o fundador do Crónicas em Branco, Daniel Teixeira, comece a ter um bocadinho de piada. Oh bolas, lá estou eu a pedir de mais…

Rute Rita Maia: Em 2013 aconteceu-nos de tudo. Este foi o ano em que se elegeu um novo Papa. Foi o ano do Swag e do Twerk. O ano em que a luz ficou mais cara, e talvez por isso, eu não vi muito bem o porquê de Portugal ter ganho, de repente, um vice primeiro-ministro. Foi o ano em que o coelhinho nos voltou a trocar os passos, ao deixar-nos no cestinho mais impostos, em vez de ovinhos de chocolate (valha-nos o Tribunal Constitucional!). O ano em que Paul Walker, tão querido entre o sexo feminino, abandonou as estradas de Hollywood, e com ele, outras estrelas passaram a iluminar-nos lá de cima. Outras reformaram-se, como o caso recente do nosso amigo Bieber. Culturas à parte, 2013 foi um ano rico em acontecimentos, repleto das mais variadas emoções. Para uns 13 de sorte, para outros de azar. Para mim, foi o ano em que atingi a idade (aos olhos da lei) adulta, e concretizei o que de mais esperado pode haver na vida de um estudante: a entrada na Universidade (resta saber quando é que de lá vou sair...). Por isso, com tanta coisa no «entretanto», só me resta esperar de 2014 mais e melhores aventuras. Mais surpresas. Mais notícias. E mais polémicas, quer por este Portugal fora, quer no mundo, com que eu e os meus colegas aqui do Crónicas possamos “gozar”. Quer dizer, trabalhar. Desejo um excelente ano a todos os nossos leitores – e mesmo àqueles rezingões que não passam por cá – e espero que quem nos visita, continue a fazê-lo mesmo nos dias mais cinzentos. E já agora, se não for pedir muito, traga consigo um ou dois amigos, para trocarmos de opinião. Haja saúde, e claro, façam o favor de serem felizes!

Daniel André Teixeira: Neste ano que termina decerto todos choramos, rimos, acreditamos, desafiamos, contrariámos, enfim, vivemos. Em 2014 o mote terá de ser o mesmo, apesar de ter exactamente os mesmos 12 meses de duração (eu sei, spoiler alert!). O que eu desejo a todos para 2014 é que não se deixem limitar. Não deixem projectos na gaveta, não calem uma voz que pode ser bem aquela que revoluciona toda uma situação. Num mundo (e mais concretamente num país) como aquele que temos, é fulcral que sejamos activos e que a nossa veia artística esteja na mó de cima. As nossas idiossincrasias são aquilo que nos define, não as devemos perder. Em 2014 não percas o rumo que queres da tua vida.
Quanto ao ilustre público do Crónicas em Branco uma promessa: fiquem por aí, porque este ano vai ser qualquer coisa de extraordinário...
(Ah, e se fosse possível, gostaria que em 2014 o FC Porto jogasse futebol, e não aquilo que anda a fazer em campo ...).


 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Olhares

Caminho à beira-mar. O vento está forte e as ondas agitadas. Apesar de agasalhado, o frio teima em quebrar a barreira que o separa do meu corpo. Felizmente, não tarda a que esteja sentado numa gelataria, quente e confortável. Enquanto espero por um delicioso crepe com chocolate, algo me cativa por momentos: um olhar.

Naquele momento, arrisco-me a dizer que nenhum chocolate do mundo conseguiria superar a doçura daquele olhar. Nem a sua intensidade ou beleza. Apesar de não ter uma grande experiência de vida (tenho apenas 21 anos), acredito nunca ter visto algo tão belo como aquele olhar.

Dizem que os olhos são o espelho da alma. Confesso que nunca dei importância ao que tal frase poderia significar e, durante a minha vida, passei por uma diversidade de olhares. Já os vi transparecer felicidade, tristeza, arrependimento, cansaço, força, energia... No entanto, os olhos que me fitavam mostravam algo diferente: amor, ternura e paixão.

A verdade, é que já passaram alguns anos desde que vi os seus olhos pela primeira vez. Apesar de todo o tempo decorrido entre esse dia e este, continuo imerso neles e estou eternamente agradecido por ser merecedor de todas as coisas magníficas que esse olhar me faz sentir sempre que o vejo.

Fábio Silva

sábado, 21 de dezembro de 2013

Sozinha, mas não só


Desde os tempos mais remotos da minha adolescência que ouço dizer que o sexo masculino tem medo de mulheres independentes. É como que elas desafiassem a autoestima deles; pois lhes é difícil admitir que exista neste mundo alguma mulher capaz de viver tão ou mais feliz sem eles do que na sua companhia. Então, desde esses mesmos tempos que prometi a mim mesma ser uma dessas mulheres. Invejo com admiração as que não se deixam levar pelos cânticos mais ousados. As que não seguem estereótipos e permanecem fiéis a si mesmas e aos seus desejos. As que não se vê nelas uma pinta de solidão ou falta de alguma coisa. As que pisam o chão firme com mais firmeza ainda. Que se destacam no meio de uma multidão pelo que fazem e por o que são.
Prometi a mim mesma ser capaz de construir relações que não só preenchessem todos os campos da minha afetividade (tão ou mais exigente do que a de uma mulher casada), mas também, que me ensinassem a cuidar de mim, só de mim, sem me preocupar com as satisfações que me viessem pedir. Ficar sozinha não me assusta, se eu souber aquilo que me faz feliz. Que me vai fazer sentir especial, em vez de uma sobra. É, sem dúvida, o caminho mais fácil, aquele de se viver sozinho, planear as tardes de Domingo ao seu agrado, o de sair com quem e onde quiser. Mas todo esse mundo pode ser também enganador, de uma felicidade aparente e um fascínio que se vem a revelar falso. Há que, por isso, tomar em atenção todos os aspetos que nos alertem para um distanciamento dos nossos, para a construção de um mundo demasiadamente próprio, isolado e só. Há que, apesar de tudo, cuidar com afeto dos que mais nos são queridos, e nunca voltar a casa sem que eles saibam o quão gostamos deles. Sim, eu sou independente. Sim, eu sou senhora do meu nariz. Mas não me esqueço de pais, amigos e familiares quando trago uma boa notícia ou quando o sol está tão bonito que me apetece ir mergulhar. Pois o que muitas vezes acontece àqueles que tanto anseiam estar sozinhos, é a solidão bater-lhes à porta e passar a fazer-lhes companhia.
Não me revejo em mais de metade dos textos românticos que já li. Das paixões contadas nas ruas. Ou, nesta nova geração, nas redes sociais. Não espero encontrar numa só pessoa tudo o que preciso para uma vida inteira. Vida essa que eu sei que irá mudar comigo. Mas, se por ocasião do destino ou até decisão dos Deuses, esse alguém tropeçar em mim na calçada e me provar ser merecedor de tal, eu sei que lhe darei o meu mundo completo. Tal e qual como ele é. Cheio das minhas inseguranças, dos meus sonhos, das minhas memórias e das minhas vitórias. Dos meus medos e derrotas. E farei questão, de todas as noites, deixar o leito cair em silêncio, olhar o corpo deitado a meu lado e contar, dos meus olhos para os seus, o quão dele eu gosto.
A noite é solitária. Mas eu não.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

As Olimpíadas de Natal

Olá pessoas.
Sabem o que é que trago hoje? Palavras, que umas acompanhadas com outras criam frases que depois acabam com um ponto qualquer.

Eu estou a escrever-vos porque alguém tem que começar a cerimónia das Olimpíadas de Natal. E agora vocês perguntam: "Oh Daniel mas o que são as Olimpíadas de Natal?".
Para já não gosto que me façam perguntas desse modo intimidatório e eu só explico se quiser ok? Não me pressionem ...

Todo o português que se preza entra nas Olimpíadas de Natal. Consiste em preparar tudo o que envolve a época natalícia (comida, presentes, adereços para a casa) a partir do dia 20 de Dezembro. A família é a equipa que se junta em prol de um objectivo: sobreviver em nome de um Natal recheado de coisas.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Nocturno

    

Espírito que passas, quando o vento 
Adormece no mar e surge a Lua, 
Filho esquivo da noite que flutua, 
Tu só entendes bem o meu tormento... 

Como um canto longínquo - triste e lento- 
Que voga e subtilmente se insinua, 
Sobre o meu coração que tumultua, 
Tu vestes pouco a pouco o esquecimento... 

A ti confio o sonho em que me leva 
Um instinto de luz, rompendo a treva, 
Buscando, entre visões, o eterno Bem. 

E tu entendes o meu mal sem nome, 
A febre de Ideal, que me consome, 
Tu só, Génio da Noite, e mais ninguém! 

Antero de Quental, in "Sonetos"

domingo, 3 de novembro de 2013

Treinadores de café

Decidi sair do conforto do meu sofá e voltar a ver um jogo num café.
Saí de lá com duas conclusões:
1. O Porto continua a arrastar-se em campo;
2. Portugal tem excelentes treinadores de café;


E o que é um treinador de café, perguntam vocês? Bem, eu tenho o gosto de vos explicar todo este fenómeno.
Ao contrário de um treinador de bancada, este não vai ao estádio, dirige-se a um café, pronto a largar toda a sua sabedoria enquanto molha o bico numa cerveja e enfarda tremoços.
Um treinador de café está atento a tudo ... que seja negativo na sua equipa. Durante 90 minutos, a equipa que supostamente gosta é uma valente treta e miséria até ao fim. Caso ganhe no fim é porque "pronto, lá conseguiram qualquer coisa" (nota importante: esta permissa é válida num 1-0 ou num 5-0).

domingo, 27 de outubro de 2013

“Não é assim tia, é .com”



-Diz a Raquel com 4 anos.
Ela liga o meu portátil que está pousado na mesa e ignora o peluche que está pousado no chão. “Eles agora nascem ensinados”, é o que se ouve dos mais velhos quando tentam levar o seu futuro a passear pelo parque. E que futuro é este? Saborear é para os antigos. Alguns nem comem sem algo com wireless a brilhar ao lado do prato da sopa. Que ligação sem fios é esta dos miúdos à tecnologia? Foram só nos anos 90 que nasceram crianças com vontade de andar de bicicleta? Eu dava voltas ao quarteirão para ganhar à minha prima que conseguia dar sempre mais uma volta que eu. Por incrível que pareça não tínhamos telemóveis e encontrávamo-nos sempre ao sábado às 15 horas em frente ao pátio que ficava ao lado do trabalho das nossas mães. Jogávamos futebol com os rapazes e ainda inventamos um jogo chamado “aventuras” em que tínhamos de saltar muros e escadas mais altas que nós. O objetivo era bater o recorde mas acabávamos por ficar a ver quem é que se aleijava primeiro.
Quando havia um sábado chuvoso íamos para casa dela fazer batidos de chocolate, ou como dizia a minha tia, destruir a cozinha. Era assim … e a única luz que brilhava não vinha de um ecrã, mas sim da lanterna do avô que ligávamos com medo do escuro.
E eu penso: porque é que a Raquel não prefere essa luz ou dar voltas ao quarteirão ou elaborar planos para ir para o outro lado do pátio brincar sem ninguém a ver?
Queria que ela continuasse a saber tudo mas que acabasse por decidir ser criança em vez de me explicar que o site acaba em “.com”.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Machete, a cara da impunidade

Rui Machete pediu desculpa a Angola (apesar de nada do que o documento onde se baseou apontasse quaisquer nomes daquele país), mentiu ao Parlamento, mais propriamente à Comissão Parlamentar, faz parte de uma evasão fiscal e com a sua atitude mostra a suspensão da separação de poderes em Portugal.

O que é que Passos Coelho tem a dizer sobre isto? "Não há nada de grave no comportamento de Rui Machete". 
Ah, está bem ... e então demiti-lo? "Não há, na crítica que lhe foi dirigida nada de grave que me levasse a aceitar uma circunstância destas”.

Caros amigos, isto é Portugal. O local onde se está sem rei nem roque e onde tudo é passível de acontecer na alta estrutura governamental sem que seja alvo de punição.
O que Rui Machete fez foi gravíssimo para o nosso país, pondo em causa uma coisa tão sagrada como deveria ser o Segredo de Justiça. Este homem cometeu um crime ocultando informações à Comissão Parlamentar e ainda é ministro. O grau de impunidade é elevadissímo e não dá para entender.

sábado, 5 de outubro de 2013

Life it's a lot like a show

Life it's a lot like a show if you think about it.

Picture the day of when you were born like the moment when the courtains rise in a theatre. There you are, the star of the stage, the main atraction.

After that comes the learning stage of your character, the time you understand the basics and as time goes by you came along your own choices, the wrights and the wrongs, the good and the bad ... in other words, the simplisity of life.

Then its time to encounter the real world, the moment you begin to live without the flufly pilow that you had beneath you when the show started. You meet people, you make friendships (and some enemies, because it's part of the package), good moments, a "second family", you smile, you play, you learn the beauty of life and you just can't let go of it ...
Act after act you have a new adventure, a new challenge that you either love or hate, but it's live, you won't be able to rewind it and do it again. During the process (who knows) you found a different kind of atraction thay you just can't shake of. 


domingo, 22 de setembro de 2013

Rescuing Portugal, part 2



Não é um blockbuster de final de Verão, mas não deixa de ser um filme tremendo para todos os portugueses.
Parece que não há volta a dar, tudo indica que vem ai um segundo resgate para Portugal mesmo com o Governo a querer mostrar que isso não será preciso.


David Schnautz, do Commerzbank, disse ao Económico que o próximo passo do nosso país (no primeiro trimeste de 2014) será mesmo uma operação de troca de dívida, a mesma opção que foi tomada no final do ano passado. A mesma opinião têm multiplos analistas económicos de outros países que por vezes até referem um antigo “amigo” nosso neste aspecto económico: a Grécia.

Ainda assim, eis que o Governo entra em acção com 3 intervenientes. Poiares Maduro garantiu que o atual Governo tem feito de tudo para evitar tal situação, Paulo Portas afirmou que já batemos no fundo e agora estamos a subir a escada para regressarmos ao topo e mais recentemente Passos Coelho foi frontal com a sua ideia: diz que cortes nas pensões são decisivas para evitar segundo resgate.


O que se pode reter disto? Bem é mais um inbroglio de quem nos governa que anda a esticar a corda e mesmo assim não se escapa de fazer trapalhada perante a Europa, expondo-nos a um possivel resgate (de novo).
Portugal chega a ser mais triste que o Titanic: O navio foi ao fundo e eles só foram lá resgatar o pessoal uma vez; nós se calhar ainda precisamos de mais umas tentativas.


Mas atenção ao facto de invocarem a Grécia, isso é jogar feio. Então eles não têm lá as coisas deles? Não somos “especiais” e “bajuladores” da Europa suficientemente bons para irmos ao fundo com classe? Nós até temos pessoas como Rui Machete e Maria Luis Albuquerque no Governo, isso não chega para sermos únicos?


Uma coisa é certa e tenho de tirar o chapéu ao Governo. É graças a ele que vou aprendendo umas coisas sobre economia ... é com tanta polémica, desvio e escândalos que fui “obrigado” a saber o que era uma Swap, o que era um resgate económico ... um professor destes não se paga (ah, esperem, esqueci-me dos impostos ... ok, o pessoal paga-lhe e bem) ...


Se vamos ser alvo de um segundo resgate no início de 2014? Não sabemos ao certo, mas com “picardias” sem sentido como a perseguição ao Tribunal Constitucional e com medidas drásticas a quem pouco já tem parece-me exagerado e não deve ser o melhor caminho. Continuamos na “estrada” económica e enquanto uns juram a pés juntos que ainda há caminho, outros já vêem (de novo) a parede que nos vai fazer sofrer.


Quase que aposto que visto do espaço no pequeno rectangulo que é Portugal deve ler-se “Help!”.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

A Silly-Season das Autárquicas



É impossível escapar. Um alien podia aterrar em qualquer parte de Portugal e percebia logo que estavamos em ano de Autárquicas. Imaginem aquela praga de mosquitos que afectou o Algarve este Verão ... é basicamente o mesmo. 

Mas atenção, nem tudo é negativo. Há toda uma máquina de originalidade que parece que se instala neste momento, e para onde quer que olhemos ficamos espantados, as vezes até rendidos a essa mesma originalidade. Convido-o assim, leitor deste espaço, a vir comigo e explorar este bonito mundo da propaganda política do nosso belo Portugal, mas aperte o cinto, que o blog não tem seguro contra politiquices.

Vamos começar pelos nomes.
Quem nunca sonhou que o Presidente da sua Junta se chamasse Carlos Tenreiro? Ou Zé Paleco? Ou Joni Ledo? Ou até mesmo a classe de saber que o seu presidente se chama Décio Fava? Ou a simplicidade do sr. Paulo Cafôfo?
Mas ainda existem aqueles nomes que apelam à alimentação das pessoas, como Arnaldo Tasca (em homenagem a quem frequenta tal estabelcimento), Pedro da Vinha Costa (para quem aprecia o ramo da vinicultura) e para um bom petisto tem sempre o candidato Wilson Chicharro ...
 
Passemos aos slogans de campanha, um poço de virtuosidade.
Aqui a mensagem é passada de várias maneiras, desde um simples “o nosso futuro é viver o presente” até a um arriscado “E porque não ...”. Mas há candidatos que têm mensagens fortes como por exemplo “Connosco uma palhada de futuro” e outros que até desafiam a Matemática com um “connosco 1+1=1”.
Seria injusto deixar outras duas mensagens de cartaz que achei interessantes. A primeira é “por uma branca diferente” (porque há eleitores como Maradona que têm de ser agradados) e ainda alguem que terá “um compromisso para 365 dias” ... o que é muito giro, mas tendo em conta que o mandato ainda vai ter mais 1095 dias parece-me pouco trabalho.

Seria inglório antes de terminar não mencionar duas ferramentas importantíssimas para o trabalho destes candidatos que tanto se esforçam para merecer os votos: Photoshop e Paint.
As ‘skills’ no manuseamento destes dois programas (ou a falta delas) fazem com que possamos olhar para os cartazes e perceber que há pessoas que faltaram à foto de família, que há outros que conseguem levitar, candidatos que parece que vieram de um casamento (e outros de uma almoçarada com os amigos) ... Obrigado a todos os  especialistas que criaram os cartazes, tornaram as Autárquicas em algo mais especial.

E eis que acaba a viagem. Não foi giro e elucidativo? Pois, eu sei que não, mas também ninguém disse que as Autárquicas tinham esse fim ... Mas não se preocupem, se estiverem aborrecidos tirem o dia para ir ver os cartazes, decerto que depois disto que leram haja algum candidato que seja “normal”.


PS: Um agradecimento à página do Facebook “Tesourinhos das Autárquicas 2013” pela colaboração que teve para comigo na criação desta crónica. Muito obrigado.

domingo, 1 de setembro de 2013

Defendam o piropo!

Militantes do BE discutem fim do piropo nas ruas do país - Elsa Almeida e Adriana Lopera criticam banalização da ideia de que a mulher "está aí para ser tocada" in Jornal "I"


Tal como Martin Luther King, eu tenho um sonho.
O sonho de viver numa sociedade justa, com princípios e valores, com clareza e transparência de valores, e acima de tudo onde os garanhões e os trabalhadores da construção cívil possam mandar o seu piropo para as mulheres que passam.


O que o Bloco está a tentar fazer é crime, até acho que deve ser contra a Constituição (nunca a li, mas está na moda ser contra ela). Como se atrevem a querer tirar a melhor parte do trabalho desta gente? O que é um "trolha" sem uma chalaça como "Oh boneca, se fosses de porcelana partia-te toda…"? É apenas mais um trabalhador infeliz sem a chance de poder dizer aquela senhora tamanho elogio.

O piropo está na base da originalidade. Há mulheres até que quase os coleccionam, perante tanta variedade de escolha. O piropo não é mais do que uma panóplia de oportunidades para mostrares que és diferente. Podes pegar num simples: "Foste à tropa? É que já marchavas…" ou ires mais longe como um bom garanhão e usares um "A tua mãe só pode ser uma ostra para cuspir uma pérola como tu" ... enfim, poesia de rua sem preço.

Espero mesmo que isto não vá avante. O país não está preparado para perder o piropo, já nos tiraram tanta coisa, mas retirarem a possibilidade de um homem ser elogioso para uma mulher sendo javardo ao mesmo tempo é inconcebível ... As conversas entre homens mudariam radicalmente: "olha vai ali uma rapariga bonita. Ah, pois é, quem me dera poder afirmar tamanho impropério que lhe despertasse a atenção com palavras que roçassem o badalhoco mas que ao mesmo tempo lhe mostrassem que estou interessado". Querem mesmo um mundo como este?

Meus amigos e leitores, o piropo faz parte do plano de engate de muitos, por isso intervenho com esta mensagem, em prol da defesa daqueles não têm voz:
"Não deixes morrer frases como 'Acreditas em amor à primeira vista ou tenho que passar por aqui mais uma vez?', 'O teu pai deve ser Terrorista…. És cá uma bomba!', 'Diz-me como te chamas para te pedir ao Pai Natal', 'Não te esqueças do meu nome, mais logo vais gritá-lo', 'Oh flor, se eu fosse jardineiro nunca te faltava água' ou mesmo 'Contigo filha, era até ao osso!' ... há pessoas neste mundo que precisam disto para a sua vida mais feliz.

O meu nome é Daniel Teixeira e em nome dos trabalhadores da construção civil, garanhões licenciados e outros machos latinos eu aprovo esta mensagem.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Criador do "Crónicas" raptado!!!

Ninguém sabe ao certo as circunstâncias deste incidente, o que é certo é que o vídeo que se segue caiu na Internet e mostra o criador do "Crónicas em Branco" amarrado perante um grupo de raptores.

Daniel Teixeira no entanto não quebra e não cede às pressões de quem o raptou.

Segundo fontes anónimas, ele safou-se porque viu muitos episódio do McGayver ...

Mas melhor mesmo é ver o vídeo :)


terça-feira, 27 de agosto de 2013

Não temos de ser a Geração à Rasca

O bom senso é indispensável. A circunspecção idem aspas. Temos de ser coerentes o suficiente para ver que não dá, que por muito que combatemos existem tenacidades que não valem o esforço nem o tempo perdido. É preciso deixar a razão vir à tona, travar o impulso, guardar a hesitação. É necessário esquecer o desejo, olhar a preto e branco e procurar uma saída.
Doravante é imprescindível gostar um pouco mais de nós, desembrulhar de quando em vez as nossas origens e escutar os nossos próprios segredos. No futuro juraremos vida em prol do que amámos, por isso, porque não presentearmo-nos desde já com o nosso dom de jurar? De prometer mares e fundos, e dar o máximo de nós para que lá cheguemos? Sejamos realistas, a maioria não imagina sequer ser capaz de tanto e de tão pouco, talvez por isso, nem valorizem a sua própria palavra; não se honram. Precisamos, portanto, de valores, de causas e de ideais. Todos. Sem excepção.
E a vida é hoje e não amanhã. É hoje que se sonha, que se torna as utopias reais, que se realiza os projectos cheios de pó escondidos no baú, com teias de aranha; está nas nossas mãos o amor, a glória e a esperança. Deixemos lamentações de parte, do mesmo lado que estarão, então, os medos e as injustiças. O amanhã pode já não chegar, e depois?
 
Cronista: Rute Rita Maia

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

New Perspective

Porque nem sempre apetece falar de política.
Porque nem sempre apetece falar de futebol.

Porque às vezes a vida também vale a pena ser falada ...

"I feel the salty waves come in

I feel them crash against my skin

And I smile as I respire because I know they'll never win

There's a haze above my TV

That changes everything I see

And maybe if I continue watching

I'll lose the traits that worry me


Can we fast-forward till you go down on me?

Stop there and let me correct it

I wanna live a life from a new perspective

You come along because I love your face

And I'll admire your expensive taste

And who cares divine intervention

I wanna be praised from a new perspective

But leaving now would be a good idea

So catch me up on getting out of here


Taking everything for granted but we still respect the time

We move along with some new passion knowing everything is fine

And I would wait and watch the hours fall in a hundred separate lines

But I regain repose and wonder how I ended up inside


More to the point, I need to show

How much I can come and go

Other plans fell through

And put a heavy load on you

I know there's no more that need be said

When I'm inching through your bed

Take a look around instead and watch me go


It's not fair, just let me perfect it

Don't wanna live a life that was comprehensive

'cause seeing clear would be a bad idea

Now catch me up on getting out of here

So catch me up I'm getting out of here"