"Writing is a socially acceptable form of schizophrenia."
(E.L. Doctorow
)

"Words - so innocent and powerless as they are, as standing in a dictionary, how potent for good and evil they become in the hands of one who knows how to combine them."
(Nathaniel Hawthorne
)

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

De mulher a Mulher


Desde os primeiros momentos da Antiguidade que as diferentes civilizações atribuíram à mulher um papel bastante específico e praticamente divergente do atribuído ao homem. A mulher era, portanto, uma posse e não uma pessoa singular; daí eu ter optado por nomeá-la com inicial minúscula.
Na civilização grega, a mulher despromovida de qualquer direito político ou jurídico, encontrando-se, assim, inteiramente submetida à sociedade “liderada” pelos homens. Mesmo a mulher casada estava confinada às paredes do seu lar. Elas, as mulheres, eram até retratadas na literatura da época como figuras simpáticas, fiéis, honradas e bondosas. Na civilização romana, o paradigma era bastante semelhante. A mulher recebia apenas a instrução básica, já que a sua primordial função era preparar-se para ser mãe e esposa. Assim, condenadas à submissão e a não terem voz nem cultura, as mulheres de diferentes civilizações viram a sua autonomia ser reconhecida tardiamente.
Quero com isto dizer que, comparativamente ao homem, a mulher foi quem mais viu alterados os seus papéis, quer no plano familiar, quer no educacional, quer no profissional. O ponto de partida para se iniciar a palavra mulher com letra maiúscula foi dado na Idade Média, com a entrada da figura feminina no trabalho não-doméstico. E, ainda que com algumas restrições, a Mulher começava a ocupar um tímido lugar na sociedade e na política. Ao longo dos tempos, as transformações foram sendo cada vez mais profundas, introduzindo não só novos hábitos no quotidiano feminino, mas também, novas linhas de pensamento um pouco por todo o mundo.
Hoje em dia, já não é assim tão incomum observar um quadro familiar em que o marido está encarregue das tarefas domésticas e onde a esposa trabalha fora de casa, conduz ou adquire mais conhecimentos. Todavia, prevalecem ainda deficiências estruturais, as quais estão na origem de inadmissíveis desigualdades. Como é o caso da diferença de salários ou no despedimento de uma trabalhadora grávida. Felizmente, a nossa geração demonstrou já querer preservar a saudável coexistência dos dois sexos, mesmo com os papéis trocados e, construírem assim, uma sociedade igualitária.
Concluindo, a alteração da postura masculina no quotidiano do casal e a conquista da Mulher no mercado do trabalho foram os maiores passos tomados em direção a uma convivência justa. Pois só assim se conhece o valor do respeito.

Rute Rita Maia, 1 de outubro de 2012

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